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Conhece-te a Ti Mesmo
Num dia nublado qualquer, desses que sempre pintam minha vida desde que eu me entendo enquanto ser que existe da imaterialidade do nada, olhei no espelho e não me vi. Olhei no espelho e não sorri. Não me reconheci.
De quem eram aqueles olhos, antes brilhantes, agora nebulosos? Antes revivescentes, agora esfumados? De quem eram aqueles olhos que sucumbiam ao desejo autodestrutivo? De quem eram aqueles olhos entregues á ressaca de vinho barato?
De quem era aquele corpo amorfo e desproporcional que sofregamente tampava seus buracos com nanquim? De quem era aquele corpo cheio de marcas de uma dor que nunca sara?
De quem era aquela boca que serpenteia em várias outras a fim de transbordar mágoas para fora de si? De quem era aquela boca que desenfreadamente tragava a fumaça do cigarro e, ao expulsá-la, tentava expulsar também os pensamentos e tormentos que assolam ao simples respirar?
Onde estava a doce menina dos sapatos de bailarina?
Onde estava a luz que emanava de teu sorriso? Onde se perdeu sua espontaneidade?
Aonde se perdeu sua vontade de vida e seu desejo de viver?
K.C.